Associação entre Disbiose Intestinal e Sintomas Depressivos: Evidências Clínicas e Implicações Terapêuticas

  • Autor
  • Lorena Di Lauro Soares
  • Resumo
  • Introdução: A disbiose intestinal caracteriza-se por alterações na composição e diversidade da microbiota intestinal, estando associada a processos inflamatórios sistêmicos, disfunção da barreira intestinal e desequilíbrios neuroquímicos. Evidências crescentes apontam para a existência do eixo intestino–cérebro, no qual a microbiota exerce papel relevante na modulação do humor e do comportamento. Objetivo: Analisar a associação entre disbiose intestinal e a presença de sintomas depressivos, bem como discutir suas implicações clínicas e terapêuticas à luz das evidências disponíveis. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, utilizando os descritores “gut microbiota”, “dysbiosis”, “depressive symptoms” e “gut–brain axis”. Foram incluídos estudos clínicos observacionais, ensaios clínicos e revisões sistemáticas publicados nos últimos dez anos, envolvendo adultos diagnosticados com transtornos depressivos ou com avaliação padronizada de sintomas depressivos. A análise dos dados concentrou-se nos mecanismos fisiopatológicos, achados clínicos e estratégias terapêuticas relacionadas à modulação da microbiota intestinal. Resultados: Os estudos analisados demonstraram associação significativa entre disbiose intestinal e maior prevalência e intensidade de sintomas depressivos. Alterações na abundância de gêneros bacterianos produtores de ácidos graxos de cadeia curta, aumento da permeabilidade intestinal e ativação de vias inflamatórias sistêmicas foram frequentemente relatadas. Intervenções como o uso de probióticos, prebióticos, simbióticos e ajustes dietéticos mostraram potencial benefício na redução dos sintomas depressivos, especialmente quando utilizadas como terapia adjuvante ao tratamento farmacológico convencional. Conclusão: A disbiose intestinal apresenta associação consistente com sintomas depressivos, reforçando a relevância do eixo intestino–cérebro na fisiopatologia dos transtornos do humor. Estratégias terapêuticas voltadas à modulação da microbiota intestinal surgem como abordagens promissoras e complementares no tratamento da depressão, embora estudos clínicos de maior robustez metodológica sejam necessários para estabelecer protocolos terapêuticos padronizados.

  • Palavras-chave
  • Disbiose intestinal; Depressão; Eixo intestino–cérebro.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • Clínica
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  • Clínica
  • Cirurgia

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